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Quem foi Octavio Ianni
Octavio Ianni (1926–2004) foi um dos sociólogos mais expressivos do Brasil, com uma trajetória marcada pela análise da formação social, da estrutura de classes e da geopolítica contemporânea. Nascido em Itu, no interior de São Paulo, concluiu sua graduação em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP) em 1954, onde também defendeu seu doutorado e iniciou sua carreira docente. Integrante da Escola de Sociologia Paulista, Ianni colaborou com Florestan Fernandes em pesquisas pioneiras sobre as relações raciais no Brasil, das quais questionavam o mito da democracia racial mas sociedades de classe.
Em 1969, com o recrudescimento da Ditadura Civil Militar e a promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), Ianni foi compulsoriamente aposentado e afastado de suas funções na USP. Neste período dedicou-se ao ensino e à pesquisa em instituições internacionais e, posteriormente, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), escrevendo sobre o autoritarismo, a questão agrária, e a formação do Estado nacional e das dinâmicas do capitalismo dependente na América Latina.
Em suas últimas décadas de vida, Octavio Ianni inovou. Provocou o debate sobre a globalização. Por meio de obras marcantes como A Sociedade Global (1992) e Teorias da Globalização (1995), analisou como a mundialização do capital, a expansão das redes de comunicação e a reconfiguração dos Estados-Nação transformaram as relações de poder e as identidades socioculturais. Reconhecido por sua elegância didática e pelo compromisso ético-político com as transformações sociais, o pensamento de Ianni permanece como uma referência indispensável para a compreensão das contradições do mundo contemporâneo. Obras deste autor podem ser revisitadas na biblioteca do IFCH, que leva o seu nome.
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